Atividades‎ > ‎2013/2014‎ > ‎

Visita de História do 2º ciclo

Visita de Estudo de História do 2º Ciclo ao Concelho de Loures

No dia 18 de fevereiro, a Câmara Municipal de Loures disponibilizou-nos transporte para uma visita de estudo ao nosso concelho. Obrigada, pois sem as camionetas não sairíamos da escola. Fomos acompanhados (e muito bem) pela Dr.ª Carla Ferreira e pelo Dr. Rui Lourenço do departamento do turismo.

Fomos a vários sítios. A Casa do Adro foi um deles.

A Casa do Adro é uma residência senhorial do século XVII, erguida ao lado da Igreja Matriz de Loures, em terrenos que eram justamente conhecidos por Quinta da Igreja. Embora conservando ainda a sua feição seiscentista, sofreu várias obras de alargamento, incluindo o acrescentamento de um novo corpo ao edifício original, levado a cabo no século XVIII, e ainda a construção de mais algumas dependências no século seguinte, quando era propriedade de Francisco Manuel Trigoso de Aragão Mourato, ministro de D. João VI. A casa, de dois pisos, dispõe-se em torno de um pátio ajardinado, com nora e um pequeno alpendre. No segundo piso, ou piso nobre, existe uma varanda coberta por teto de madeira, com bancos forrados a azulejo e colunas de mármore quinhentistas, estas últimas provenientes de outro edifício.

Aqui segue a reportagem fotográfica.

De seguida fomos à Igreja de Loures para termos uma visita guiada pelo pároco e pelo Vasco, da Quinta do Conventinho (a festa que eu fiz quando o vi, um querido o Vasco). Aprendemos montes de coisas numa História que passa por D. Afonso Henriques, pelos Templários, pelo barroco, pelo liberalismo, pela implantação da República e continua nos nossos dias.


Terceira paragem nesta visita foi a Quinta das Carrafouchas. Situada em A-das-Lebres, Freguesia de Santo Antão do Tojal, a quinta é um dos exemplares do período barroco existentes no concelho de Loures.

Criada em 1714, da sua história reza a estadia do General Junot, quando liderou a primeira Invasão Francesa a Portugal. A quinta foi outrora propriedade da Condessa de Ega, amante oficial do General Junot. A Condessa de Ega, de seu nome, D. Juliana Maria Luísa Carolina Sofia de Oyenhausen e Almeida, filha da notável Marquesa de Alorna, casou em 1795, com o 2º Conde da Ega, Aires José Maria de Saldanha (homem muito mais velho do que ela).
Sobre a condessa de Ega, a mulher de Junot diz o seguinte “(...) era jovem e encantadora. O seu talhe esbelto e gracioso, os seus olhos azuis muito doces e luminosos e a sua cabeleira de um ruivo delicioso, davam-lhe o aspeto duma adolescente do Norte, ao mesmo tempo que a graça incomparável das belezas do Sul revelava que tinha nascido sob os céus da península. A sua instrução era vasta e o seu engenho finíssimo e muito francês davam á sua conversação um encanto que eu soube apreciar enquanto privei com ela.”

Com a assinatura da Convenção de Sintra e a partida de Junot a condessa de Ega e o marido são obrigados a fugir para França.
De Napoleão recebem uma pensão de 60.000 francos anuais, que gozam até à sua queda em 1814. Em 1811, um tribunal condena os portugueses que estavam em França à morte, sentença que nunca seria aplicada e em 1823 outro tribunal anula estas sentenças permitindo o seu regresso a Portugal. O Conde opta por se manter afastado da cena política e vem a falecer em 1827. D. Juliana casa novamente com o poderoso Conde de Strogonoff, um russo e falece em S. Petersburgo no ano de 1864. 

Por sua vez a quinta das Carrafouchas foi comprada a 8 de Abril de 1872 ao Marquês de Valada por Joaquim Franco Cannas, permanecendo na família até aos dias de hoje. Hoje é propriedade da família de António Maria, produtor dos vinhos “Quinta das Carrafouchas.”

Para além do palácio, a quinta possui ainda outros vestígios do seu passado nobre e luxuoso. Encontramos, fontes rodeadas de painéis de azulejos setecentistas lindíssimos. No muito que aprendemos ainda fizemos a poda à vinha (um desastre total mas muito divertido).


Nova paragem para o almoço feito no Parque da Cidade.
Comidinha, brincadeira e...... mais História desta vez viajámos do século XVI ao século XX, até aos descobrimentos, Macau, evangelização, Jesuítas, Marquês de Pombal e Expo '98.


De barriguinha cheia fomos para o Tojal ao Palácio dos Arcebispos. Temos de agradecer à Casa do Gaiato pelo acolhimento e à Rita (técnica da Quinta do Conventinho) que nos guiou a visita.

O Palácio da Mitra, vulgarmente conhecido como Palácio dos Arcebispos, é uma antiga residência de veraneio, primeiro dos arcebispos e, depois, dos patriarcas de Lisboa. O primitivo palácio foi mandado construir pelo arcebispo D. Fernando de Vasconcelos, cerca de 1554. Este palácio, por sua vez, veio substituir uma primitiva casa do séc. XIII e que pertencia à Mitra de Lisboa.

No séc. XVIII o primeiro patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida mandou reconstruí-lo em estilo barroco, tão ao gosto dessa época. Foi ele também que mandou construir o aqueduto do Tojal. D. João V visita este palácio várias vezes a primeira das quais para assistir à sagração dos sinos destinados a Mafra. Aliás, este local foi muito importante aquando da construção do palácio/convento de Mafra, pois as pedras (mármores) da sua construção vinham de barco, através do rio Trancão, até Santo Antão do Tojal e, daqui, eram transportadas para Mafra. Será que o rei ou a corte aqui estarão hoje?


E não é que a corte estava mesmo presente no Palácio dos Arcebispos! Os Marqueses de Marialva (Profª. Lúcia Valério e Prof. Vítor Carreto) e a criada Benilde (Prof.ª Hermínia Nascimento) ajudavam D. Tomás a preparar o banquete para a corte e para o rei D. João V, que ia levar os carrilhões para Mafra.


Obrigada. Obrigada à Rita, à Carla e ao Rui por terem entrado na brincadeira. Divertimo-nos imenso. Adorei.


Texto: Prof.ª Hermínia Nascimento